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Cinema na Favela & Favela no Cinema

Escrito por: Assessoria Nação Hip Hop em: 19/06/2008
Erro ao carregar imagem PROJETO CINEMA NA FAVELA – ANO 5
APRESENTAÇÃO/HISTÓRICO:


A partir da segunda metade do século vinte, o cinema tornou-se um canal de comunicação de massa capaz de informar, formar e remodelar uma sociedade dominada pela indústria cinematográfica americana, o cinema tornou-se um bem capitalista de exclusivo acesso a classes economicamente privilegiadas, tanto na produção quanto na recepção. Na última década, o cinema brasileiro, através de sua produção de grande qualidade, tanto de imagem quanto de enredo, vem conquistando um espaço na indústria cinematográfica mundial. Muitos cineastas brasileiros vêm ganhando destaque nas mostras internacionais e adquirindo prêmios. Entretanto, poucos brasileiros, especialmente jovens, têm acesso a esse canal de informação. Os filmes, mesmo os nacionais, são exibidos em salas localizadas em Shopping Center’s com entradas a preços elevados para o poder aquisitivo de nossos jovens e, mais ainda, a exibição nunca é seguida de um debate sobre o tema e sobre o processo de construção e viabilização do mesmo. Torna-se assim, na maioria das vezes, um bem elitista e de puro entretenimento.

A descoberta de uma rica filmografia nacional sobre as favelas, entre ficções e documentários, música e vídeo - clipes, sob os olhares perplexos, contemplativos, denunciadores, horrorizados, apaixonados e fascinados de Cineastas, Escritores, pesquisadores e estudiosos nos levaram de encontro a uma radiografia fiel da segregação social, racial e cultural do Brasil para com o Brasil ... Registrada em vídeo...

A Favela-violência que impinge o medo e que requer repressão. A favela-romântica, idílica, que exalta as qualidades humanas, a solidariedade e a pureza dos seus moradores. A Favela-miséria que suscita comiseração. A Favela-música pulsando em samba, hip hop, funk e rap.
A favela - improviso, a favela-carnaval, a favela - marginal...os becos, as escadarias sem fim, as latas d’água na cabeça, o apinhado de gente, o tráfico, a labuta, a festa, a opressão, os sotaques e as fisionomias...

Mas a que se prestariam estas imagens ? Talvez, em alguns casos, para consolidar estigmas e segregar ainda mais essa nossa realidade tão marcada pela dicotomia entre ricos e pobres, entre homens e mulheres, entre a favela e o asfalto. Em outros casos, contudo, trata-se de produzir verdadeiros encontros entre os dois lados, de cruzar falsos abismos: espaciais, ideológicos ou cosmológicos. Sem que isso signifique meramente suprimir as diferenças, mas ao contrário, fazendo com que elas venham compor um cenário mais aberto a multiplicidade, menos autoritário e marginalizante.

Parafraseando o Cineasta Baiano Glauber Rocha, com uma idéia na cabeça e uma câmera na mão, era necessário adaptar estas idéias e ideais num Projeto, que seria executado no Estado de Santa Catarina, uma região que supostamente tem poucos problemas sociais, e que este trabalho contemplasse a população das comunidades de periferia, em especial aos jovens, ao mesmo tempo que pudesse ser provocador e motivador de cidadania, surgiu daí o Projeto Cinema na Favela & Favela no Cinema.


APRESENTAÇÃO
Em Santa Catarina, o projeto surgiu de uma pergunta... O que vem fazendo da grande Florianópolis, uma região onde cresce assustadoramente o índice de homicídios, principalmente entre jovens.

A constatação da ociosidade nas comunidades, e a dificuldade desta população ter acesso aos bens culturais, pela ausência de políticas púbicas, principalmente para os jovens em situação de risco, vem fazendo com que aumente em muito os números da violência na Grande Florianópolis. A favelização de Florianópolis, ou pelo êxodo rural ou pelo desemprego, já pode ser comprovada pelos números, pois de 1987 para 2004 aumentou de 29 para 58 favelas na cidade, quase o dobro, o que acaba por motivar, como conseqüência, o aumento da violência, tragicamente entre os jovens das comunidades de periferia. Exemplo disto é o levantamento de homicídios feito pelo Instituto Médico Legal / IML do Estado, que apontou no primeiro mês de 2005, dos 17 óbitos, 14 foram de jovens na faixa etária entre 15 e 26 anos, desta forma totalizando mais de 80% dos homicídios, em janeiro de 2005, entre jovens até 26 anos. Ao ocupar o tempo desses jovens com a exibição de filmes e debates, com presença de convidados que na sua maioria, mesmo com uma trajetória de vida com dificuldades, conseguiram um espaço na sociedade, motiva que esta juventude desenvolva, além de auto-estima um espelho positivo para o seu futuro, que deve refletir na diminuição dos índices alarmantes da violência entre os jovens na região metropolitana da grande Florianópolis, além de facilitar a população e moradores das comunidades carentes, o acesso a bens culturais.

O projeto cinema na favela acredita que o investimento social e cultural reduz a violência entre os jovens e as populações das periferias, onde a única presença do governo só chega através da polícia.

O Áudio-Visual, em especial o cinema documental engajado na problemática nacional seguido de debates, que forneça dados e referenciais positivos ao jovem, além de desenvolver a auto estima, oferece não só o lazer puro e simples, mas pode ser também um instrumento pedagógico para o (re)conhecimento e formação de uma da identidade cultural, que possa permitir a inclusão social destes jovens, não somente nas trágicas estatísticas, mas na sociedade oficial do Brasil.



O PROJETO
O projeto “Cinema na Favela & Favela no Cinema” organiza mostras gratuitas de filmes e documentários nacionais, seguidas de debates com a presença de convidados especiais, como diretores, atores, produtores, jornalistas e educadores. . Esta seleção dos filmes, se dá a partir dos temas mais significativos da produção nacional, especialmente os relacionados aos problemas contemporâneos, tais como:direitos humanos, prevenção às drogas, informação sobre o risco do uso de armas, educação sexual e doenças sexualmente transmissíveis. Além disso, entre os filmes selecionados, prioriza-se sempre uma produção catarinense de destaque. Este projeto atua na região metropolitana de Florianópolis. Os locais selecionados para a exibição e debate são os Centros Comunitários, Escolas e Universidades Públicas, Centro de Atendimento a Menores e Penitenciárias. Nestes cinco anos de atuação do projeto, já são vinte edições realizadas, com mais de 300 sessões em comunidades, reunindo, neste período aproximadamente um público de mais de 30.000 pessoas que tiveram acesso a obras cinematográficas brasileiras e Catarinense, e ainda a debates sobre temas importantes para a sociedade e a cultura nacional.

O Projeto trouxe, neste período, a Santa Catarina mais de cem (100) profissionais, entre cineastas atores, escritores, jornalistas e educadores, promovendo um intercâmbio social e cultural nunca visto, e permitindo ao público local o acesso a encontros inesquecíveis e obras, algumas inéditas, do Cinema nacional, tudo de forma gratuita.



Apoio Cultural:
- ELETROSUL, CELESC, UNISUL, PRAIA MOLE PARK HOTEL, UDESC, UFSC, ETC...
Parceiros:
- RIO DE JANEIRO : CUFA/Central Única das Favelas, Projeto Nós do Cinema, Projeto Nós do Morro, Etc...
- SANTA CATARINA: Grupo Liberdade,
Realização; Grupo Nação Hip Hop
Direção; Cláudio Rio
* Este projeto tem beneficio da Lei Rouanet e Lei Estadual de Cultura Santa Catarina.

 

 

 
 Destaques
 
 

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